sábado, 26 de novembro de 2011

Livro de Família: O Casamento.

26/11/1966 Casamento de Albertina e José
Igreja Matriz de Selesópolis - SP.
Há 45 anos a jovem Albertina se casa com José na igreja matriz de Salesópolis, cidade onde nasceu e passou os primeiros 20 anos de vida. O pai, Pedro Lima já havia morrido alguns anos antes, em agosto de 1963 no mês em que ela completava 17 anos, mas os irmãos Pedro e Miguel e a mãe Maria Laura, além de outros familiares e amigos marcaram presença naquela tarde de festa. Ainda que a ausência do pai naquele importante momento da sua vida lhe trouxesse tristeza, ela não foi maior que a alegria de iniciar uma nova vida ao lado daquele que ela escolheu para ser seu par até que a morte os separe.

José, filho do Sr. Joaquim Tobias e da Dona Maria Benedita, já era um homem feito com seus 31 anos, de uma magreza que o fazia parecer o príncipe “Cabo de Vassoura”, com bigode fino e aparado, um terno escuro, não é que o roceiro ficou elegante naquele dia e recebeu a família e amigos com muita alegria no coração.

Passado algum tempo eles se mudam para Mogi das Cruzes. Primeiro iria José para conhecer a cidade, conseguir um trabalho, depois Albertina o acompanharia, em seguida a família começa a crescer. Sete são os filhos do casal, dos quais cinco estão vivos, firmes e briguentos como sempre. Gente de sangue quente esses “Cardoso”, mas Albertina e José são verdadeiros heróis, na melhor acepção da palavra.

Gente brava, lutadora, que não desiste apesar de todos os problemas e barreiras que surgiram ao longo dos anos. O casal conseguiu criar os filhos, vê-los crescer, casá-los (ou não) e ver os netos chegarem.

Eu sempre brinquei com minha mãe por conta da história das balas Juquinha, isso mesmo aquelas balas mastigáveis de várias cores e sabores, é que o avô Joaquim tinha um bar e o pai quando ia pro sítio visitar a mãe levava consigo um punhado de balas embaladas naqueles papéis de pão antigos, para adoçar a relação. Então, eu sempre digo pra mãe que ela se vendeu por muito pouco.

“Onde já se viu aceitar casar-se depois de algumas centenas de balas” (risos).

Brincadeiras à parte, os tempos mudaram, hoje as relações se estabelecem de outras formas, mas naquele tempo as pessoas se conheciam, não tinham tanto tempo para enrolar umas as outras, a sociedade cobrava, os pais, os irmãos estavam sempre presentes. Não era de bom tom uma moça de família conhecer muitos moços e demorar a casar-se.

A mãe casou aos vinte anos, foi mãe de sua primeira filha aos 21 e vive ao lado do mesmo homem desde então. O pai com seu humor ácido convive, com a ironia ingênua da mãe, eles protagonizam as discussões mais prosaicas na cozinha da casa e ao final cuidam um do outro como tem que ser, como se nada tivesse acontecido, afinal os filhos são para o mundo e o marido e a mulher são como os dedos anelares da mão, que segundo algumas culturas representam o casal, pois ao dobrar os dedos médios, se torna impossível separá-los como se separam os demais dedos que representam os filhos e os amigos.

Deixando de lado as metáforas, hoje é dia de festa, pois meus pais Albertina e José completam 45 anos de “vida juntos”, são exemplos de superação e força para todos nós, por isso seus filhos: Margarete, Mauricio, Marco, Maristela e Marcio agradecem a dádiva da vida, seus genros e nora: Cristiano, Rogério e Renata os parabenizam pela data e os netos: Cristian, Guilherme, Marcello e Laura agradecem pela possibilidade de conviver com eles, pois na casa dos avós “pode tudo”, e só quem já foi criança e conviveu com seus avós sabe o que é isso.

A vida é um mistério, poucos são os que a vivem bem ou chegam perto disso, cada um faz dela o que quer, mas é o caráter e as escolhas que trazem às nossas vidas motivo para agradecer, para olhar para trás e dizer que valeu a pena!

Queridos pais que Deus os abençoe sempre, como os abençoou naquela tarde de 26 de novembro de 1966.

Feliz aniversário de casamento!

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